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A textura na comunicação visual

© Texto de João Werner


Áspera ou lisa, acolhedora ou espinhosa, a textura é a característica das superfícies que alude ao sentido do tato.

A textura é a pele da comunicação visual, sendo a qualidade determinante da sensualidade das superfícies. É também uma determinante para definir o material de que são feitas as figuras presentes.

Um piso de mármore, uma coluna de cedro, um tecido de veludo azul, anéis de ouro reluzente, a pele cálida e relaxada depois do amor, todos são representados através de suas texturas.


Van Eyck, O casal Arnolfini, 1434, painel, National Gallery, Londres. Uma das obras em Van Eyck representou minuciosamente as texturas dos objetos.

Na pintura, foi depois da invenção da tinta à base de óleo de linhaça que as texturas tornaram-se um personagem à parte nas obras de arte.

Artistas como Jan van Eyck (falecido em 1441) elevaram a representação de materiais a níveis até então desconhecidos. Dado o seu processo lento de secagem, a tinta à óleo presta-se ao meticuloso trabalho de pincel necessário à representação dos materiais.

Quando se fala de textura em comunicação visual, temos de ter em mente que os próprios materiais dos quais são feitas as comunicações visuais produzem ou têm textura.

Uma pintura, por exemplo, pode ser realizada sobre um tecido áspero como a juta, ou liso como a seda. Assim, também, os pincéis produzem textura. Um pincel de pelo de marta produz uma pincelada suave e lisa, quase sem textura. Já um pincel de pelo de porco produz um fluxo áspero e irregular.

Em segundo lugar, há, na comunicação visual, a representação de texturas reais. Esse é o seu uso mais conhecido. Como visto anteriormente, na pintura de Van Eyck, os artistas retratam materiais como a madeira ou o tecido, a pedra ou o metal, sempre através da representação de suas texturas. Além destas texturas, há também as texturas orgânicas, tanto as dos animais quanto as dos vegetais.

Em terceiro lugar, há as texturas imaginativas, produzidas sem contrapartida no mundo real. Estas podem ser texturas geométricas e regulares, ou, ainda, texturas fantasiosas com formas livres, que podem mesclar aspectos variados de texturas reais.

Hierarqui de análise das texturas

As texturas reais dos objetos

Os materiais na natureza apresentam textura como resultado de dois fatores, um endógeno e outro exógeno.

São endógenos os elementos intrínsecos à própria natureza do material, isto é, elementos que são inerentes à sua composição química ou estrutural, e que resultam em variações no modo como percebemos a sua superfície visível.

Assim, por exemplo, na ilustração abaixo, temos quatro exemplos de pedras, ágatas e cristais. São pedras encontradas na natureza e cuja textura, às vezes bizarra, é o resultado da composição química de seus elementos formadores.

Exemplos de texturas endógenas

O segundo fator produtor de texturas é exógeno, isto é, fatores externos aos materiais e que provocam alterações visíveis em sua superfície. Assim, por exemplo, temos a erosão provocada pela ação dos ventos ou a corrosão provocada pela ação da água. Temos, também, entre outros fatores, o desgaste pelo uso ou o resultado visível do atrito entre dois materiais diferentes.

Na ilustração abaixo, vemos um suporte de metal corroído pela ação do uso, bem como, ao fundo, um piso de madeira desgastado, cuja textura indica que está em uma área externa, exposto à chuva e ao sol.

Exemplo de textura exógena

Os fatores endógenos da textura

Um fator endógeno importante na produção de texturas é quando um objeto tem uma textura resultante da ação produtiva do ser humano.

Exemplificando, na ilustração abaixo, vemos a reprodução de seis tecidos. Quando são produzidos, os tecidos são o resultado do entrelaçamento de vários fios em uma trama homogênea. Se alterarmos a cor dos fios, isto é, ao invés de usar um único fio, usarmos dois fios de cores diferentes, conforme vão sendo inseridos na trama, obteremos uma textura variada. Os seis exemplos abaixo são obtidos com a variação das cores dos fios que constituem as tramas.

Exemplos de texturas endógenas

Temos inúmeros outros exemplos de texturas que são resultados de processos de fabricação.

Na ilustração abaixo, vemos seis exemplos de cestos, cuja fabricação utiliza-se de palhas ou outras fibras vegetais. Vemos que cada exemplo oferece um tipo diferente de textura, cuja variedade é o resultado de um procedimento específico no entretecimento das fibras.

Exemplos de teturas endógenas

Além da textura decorrente do artesanato, há, também, as texturas resultantes do fator endógeno da produção industrial ou técnica. Evidentemente, a grande maioria destas texturas não foram criadas para serem decorativas mas, sim, são as resultantes visíveis de um processo industrial cujo objetivo era produzir um objeto funcional.

Na ilustração abaixo, vemos seis exemplos de texturas industriais metálicas, todas funcionais, mas com um aspecto estético.

Exemplos de texturas endógenas industriais

Já as seis texturas endógenas, abaixo, são a resultante de objetos que foram criados para serem decorativos (azulejos, lajotas etc.), mas que foram produzidas industrialmente, também.

Exemplos de texturas endógenas industriais

Outro fator endógeno criador de textura é a evolução natural. Todos sabemos que as espécies desenvolveram, com o passar das eras, diversas texturas e padrões em suas pelagens ou plumagens. Com o intuito de melhor se camuflar de predadores, o pelo dos animais adquiriu formas e cores as mais variadas, adaptadas ao seu contexto vivencial.

Este tipo de textura vista na natureza é chamada de textura orgânica.

São orgânicas não apenas as texturas vistas na pele de animais mas, também, as texturas vistas em materiais de uso com origem orgânica, tais como as madeiras.

Na ilustração abaixo, vemos seis exemplos de texturas orgânicas vistas em peles de animais.

Texturas endógenas orgânicas

Já nesta outra ilustração, abaixo, vemos outras seis texturas orgânicas, vistas em madeiras.

Texturas endógenas orgânicas em árvores

Outro fator endógeno, criador de textura, ocorre quando a própria ferramenta utilizada para criar a comunicação visual é a responsável por produzir a textura, intencionalmente ou não.

Abaixo, vemos uma reprodução do papel Arches®, da Canson™. Pela foto, vemos como o papel é texturizado, áspero, oferecendo ao toque do giz pastel uma aderência acentuada, algo que um papel liso, por exemplo, não ofereceria.

Textura endógena criada pelo giz

Este tipo de papel retém uma grande quantidade do giz aplicado, agindo quase como uma "lixa", sutil. Grande parte da qualidade estética "rústica" da técnica de giz pastel advém, justamente, desta específica aspereza do papel.

Abaixo, vemos um rolo de pintura, próprio para criar texturas na pintura de paredes. Este tipo de instrumento tem a finalidade de facilitar a criação de superfícies texturizadas de um modo mecânico, quase sem a necessidade de habilidades especiais por parte do pintor.

Exemplo de textura endógena criada pelo instrumento

Com alguma habilidade, e o uso de rolos especiais e espátulas, pode-se criar uma grande variedade de efeitos texturizados sobre as paredes.

Abaixo, vemos um destes efeitos, o chamado gotelé, isto é, a criação de um efeito semelhante a gotas na aplicação da tinta.

Textura endógena de pintura gotelé

Abaixo, vemos outra ferramenta cuja finalidade é criar texturas. Trata-se de um rolo de pintura cuja superfície é como se fosse um carimbo, produzindo um efeito texturizado conforme é aplicado sobre uma superfície.

Rolo de criar texturas

Nas artes plásticas, temos vários exemplos do uso de pincéis para criar texturas em uma pintura.

Um artista que se utilizou dos pincéis para criar texturas em suas telas foi Van Gogh. Abaixo, vemos uma de suas célebres pinturas, "O quarto".

Pintura de Van Gogh, O quarto

Na ilustração abaixo, vemos um pequeno detalhe que corresponde aos pés da cadeira que se encontra bem no canto esquerdo da pintura.

Detalhe da pintura O quarto de Van Gogh

Vemos na ampliação, como a tinta foi aplicada em grande volume. Esta técnica é chamada de impasto na pintura. A textura criada chega a ter, muitas vezes, vários centímetros de espessura.

Os fatores exógenos da textura

Os fatores exógenos produtores de texturas são em grande número. Definem-se, basicamente, pela inexorável e incontornável deterioração das coisas no mundo.

O ferro, enferruja; a madeira, apodrece; o piso, suja e se desgasta; o tecido, torna-se roto; o vidro, quebra-se; o ser humano, envelhece; etc. Todas as coisas sofrem o desgaste do uso e da passagem do tempo, em uma lista quase infindável de prováveis micro destruições.

Assim, a ação do tempo sobre as coisas é o primeiro fator exógeno de produção de texturas.

Abaixo, vemos 12 exemplos de texturas criadas pela ação do tempo.

Exemplos de texturas produzidas por fatores exógenos Exempos de texturas exógenas

Às vezes, um material nem tem grande textura em si mesmo, mas a maneira como é disposto em uma fotografia pode produzir texturas ricas e complexas.

Abaixo, vemos quatro ilustrações em que os objetos retratados, em si mesmos, tem pouca ou nenhuma textura. Mas o arranjo de vários destes objetos juntos produz uma textura bastante complexa na fotografia.

Exemplos de texturas orgânicas produzidas de modo exógeno

Se observarmos, por exemplo, uma única folha de alface, vemos que elas são relativamente lisas, sem textura acentuada. Já na organização que foi feita na foto acima, várias folhas de alface, arrumadas juntas, criam uma textura complexa.

Outra textura que resulta do método técnico da fotografia diz respeito às fotos em close-up, principalmente as fotos realizadas através de microscópios.

Observando objetos a um nível não acessível a olho nú, podemos observar ricas texturas microscópicas, algumas muito ornamentais.

Na ilustração abaixo, vemos quatro exemplos de texturas microscópicas, cuja visibilidade só é possível pelo nível de aproximação em que a fotografia foi tirada.

Texturas exógenas

Texturas não são relevos

Dado o "ressalto" produzido por algumas ferramentas que criam a comunicação visual, algumas texturas chegam a ser tridimensionais, isto é, espessas o suficiente para se igualarem a relevos.

Um relevo é uma comunicação visual tridimensional, construída sobre um plano de base.

Abaixo, vemos uma placa de argila do período Minóico de Creta. Na superfície do disco, observamos alguns hieróglifos. Estes hieróglifos foram escavados sobre a argila e tem o aspecto de uma textura mas, dado o seu significado linguístico, são considerados relevos.

Exemplo de relevo minóico

Abaixo, vemos um relevo pleno de significado histórico e artístico. Trata-se da família real egípcia do período do faraó Akenaton. Grande transformador da religião egípcia, Akenaton promoveu, também, uma importante modificação na arte do período. Aqui, vemos o rei e a rainha brincando amorosamente com seus filhos.

Exemplo de relevo egípcio

A diferença entre relevos e texturas é que, geralmente, o relevo tem um significado que a textura não tem.

A representação das texturas na comunicação visual

Como alguns materiais são muito caros para serem utilizados, tais como os mármores e algumas madeiras de lei, por exemplo, há uma grande demanda comercial para imitações destes materiais.

Um dos mais conhecidos produtos que imitam a textura de materiais nobres é a denominada Fórmica™. São revestimentos utilizados em móveis e arquitetura, e que representam de modo quase perfeito a textura de outros materiais. Abaixo, vemos três exemplos (dentre inúmeros outros) de representações de texturas que esta indústria oferece aos seus clientes.

Exemplos de representação de texturas

Outro processo muito conhecido de simulação de texturas é a douração. O processo é, teoricamente, muito simples. Trata-se de aplicar uma fina lâmina de ouro sobre uma superfície menos nobre (e menos valiosa), tais como a madeira ou a alvenaria, por exemplo. Com isso, simula-se que o objeto fosse, todo ele, de ouro maciço. Obtém-se todo o resplendor do ouro, porém com um custo muito menor.

Abaixo, vemos uma vista do interior da Igreja de São Francisco, em Salvador. O interior é ricamente adornado com entalhes sobre madeira revestidos de douração. Todo o interior da igreja cintila com o reflexo das luzes sobre o ouro das dourações.

Exemplo de simulação de textura em douração

Outro método muito comum de representar texturas é a denominada galvanoplastia. Trata-se de um processo eletroquímico, onde uma superfície condutora é exposta a um banho de partículas metálicas. Através de condução elétrica, as partículas metálicas se agregam à superfície, criando um revestimento metálico que não fazia parte da superfície original.

Trata-se de um procedimento não apenas estético, mas, principalmente, funcional. Como partículas agregadoras, pode-se usar o ouro, a prata, o cobre, níquel, cromo ou zinco.

Abaixo, vemos, na foto nº 1, uma máquina industrial de galvanização. Vê-se o recipiente onde está o líquido com a suspensão das partículas metálicas. Na foto nº 2, vê-se uma moeda que foi recoberta com uma camada de cobre avermelhado.

Exemplo de representação de texturas galvanoplastia

Outro procedimento muito usual de representação de texturas é a adesivação ou envelopamento. Trata-se de um procedimento mais recente e consiste na impressão de uma imagem sobre uma película plástica adesiva que pode, depois, ser aplicada a uma parede de uma casa ou escritório, a um automóvel, etc.

Na ilustração abaixo, na foto nº 1, a parede de azulejos atrás da cadeira é, na verdade, um adesivo. Assim também, na foto nº 2, a parede de tijolos, atrás do sofá, é um adesivo.

Exemplo de representação de texturas adesivação

Outro método bastante conhecido de representação de texturas é a marmorização. Trata-se de um efeito artesanal, produzido pelo contato controlado entre uma folha de papel e um recipiente cheio de um gel, previamente preparado, e que simula a superfície do mármore.

É muito utilizada para produzir luxuosas encadernações de livros. Utiliza-se, também, para decoração de móveis e paredes.

Abaixo, vemos, na foto nº 1, alguns livros encadernados com papéis marmorizados. Já na foto nº 2, vemos alguns exemplos do efeito de marmorização sobre papéis.

Representação de texturas marmorização

Outro método de representar texturas, este mais tradicional, é a pátina. A pátina é, originalmente, um resíduo químico que se forma sobre superfícies metálicas, especialmente o bronze, quando expostas ao clima. Quando vemos uma escultura em bronze, e ela está "esverdeada", esta cor verde é a pátina.

Mas a pátina também pode ser obtida artificialmente, com a adição de produtos químicos sobre os metais. Neste caso, pretende-se simular o envelhecimento do metal, ou mesmo apenas obter um efeito estético.

Abaixo, na foto nº 1 vemos a célebre "Estátua da Liberdade", em Nova York. Sua cor esverdeada é a pátina que a escultura desenvolveu, exposta ao clima por décadas. Já a foto nº 2 retrata uma porta metálica, onde se formou uma pátina com o passar dos séculos.

Representação de textura pátina

Para finalizar a exposição das técnicas de representação de texturas, apresentaremos a venerável tradição pictórica de representar materiais utilizando-se de pincéis e tintas.

Logo que passou a ser utilizada na pintura no século XIV, a tinta à óleo se notabilizou por permitir aos artistas um trabalho cuidadoso em representar os materiais de que eram feitos os objetos retratados.

De secagem lenta e grande maleabilidade, a tinta à óleo era empregada por artistas virtuosos, os quais criaram pinturas de aparência quase fotográfica.

Todo um gênero pictórico se desenvolveu, baseado na representação de objetos, a denominada natureza morta.

Abaixo, selecionamos uma natureza morta de Heda. É impressionante a habilidade do artista em representar metais, vidros, frutas e tecidos de um modo realista. É nítida a sensação de que poderíamos tocar os objetos na pintura e sentir sua superfície.

Representação de texturas natureza morta

A lista de pintores que se dedicaram à natureza morta é imensa. Destacaremos apenas mais um, Chardin, visto abaixo.

Representação de texturas natureza morta

Texturas imaginativas

As texturas imaginativas são criações ornamentais, elaboradas sem a preocupação de representar qualquer textura real.

São, basicamente, de duas espécies: regulares ou livres.
Sua variedade só é limitada pela criatividade dos artistas, isto é, seu número é, praticamente, infinito.

Abaixo, vemos 6 exemplos de texturas imaginativas criadas com linha regulares, formas geométricas compostas.

Exemplos de texturas imaginativas regulares

E, abaixo, vemos outras seis texturas criadas com linhas livres.

Texturas imaginativas livres

O uso comunicativo da textura

Um dos usos da textura como um procedimento comunicativo é a denominada camuflagem militar.

O objetivo da mesma é confundir, visualmente, o equipamento militar com o fundo, tornando mais difícil a um observador identificá-lo.

Abaixo, vemos 6 exemplos de texturas de camuflagem.

Exemplos do uso comunicativo da textura

Abaixo, vemos um avião militar camuflado.

Exemplo do uso comunicativo da textura

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