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O ritmo na comunicação visual

© Texto de João Werner

O ritmo é definido por, ao menos, duas ocorrências de um mesmo evento, intermediadas por uma pausa, ou hiato. No caso da comunicação visual, o evento pode ser um elemento visível qualquer e a pausa é um espaço neutro ou, como é dito aqui, um fundo.

Assim, para haver um ritmo visual é necessário que percebamos uma estrutura visual assim:

figura + fundo + figura

Esta é a estrutura mínima e indispensável do ritmo visual.

A percepção do ritmo causa, no apreciador, uma expectativa pela próxima ocorrência do fenômeno que é repetido. Em outras palavras, por exemplo, o sol "nasceu" em todos dias anteriores, inclusive ontem e, por isso, todos nós confiamos que ele "ressurgirá" amanhã, indefectível. Sendo assim, a percepção do ritmo comporta aspectos cognitivos, devido à previsibilidade de suas futuras ocorrências.

Os dias se sucedem às noites. Os verões sucedem as primaveras e os invernos, aos outonos. A maturidade sucede à juventude e, esta, à infância.

Podemos dizer que as primeiras civilizações, por exemplo, se estabeleceram devido ao trabalho realizado sobre os ritmos naturais. Assim ocorreu com o Egito antigo. A previsibilidade dos períodos de cheia do rio Nilo permitiu aos egípcios construir um sofisticado sistema de irrigação das terras ribeirinhas, a qual foi a base material de sua extraordinária cultura milenar.

O ritmo é percebido em várias de nossas sensibilidades. Fisiologicamente, por exemplo, nós sentimos fome e sede com certa regularidade. Também, sentimos sono com certa regularidade, etc.

Auditivamente, o ritmo é percebido de modo temporal, pois cada ocorrência do fenômeno sonoro ritmado se dá em um tempo distinto. Como em uma torneira pingando no banheiro, por exemplo. Ouvimos um ping e depois um breve silêncio; outro ping, e silêncio novamente e assim sucessivamente. Normalmente, não ouvimos dois pings simultâneos, a não ser, é claro, quando os dois pings são advindos de dois ritmos diferentes e simultâneos. Já o ritmo visual é percebido, em geral, simultaneamente. Isto é, todos os elementos visuais ritmados são apresentados de uma só vez ao apreciador, ao contrário do ritmo sonoro.

Por outro lado, o conceito do ritmo estabelece uma real analogia entre a imagem e a poesia, assim como, também, entre a imagem e a música. A presença do ritmo na comunicação visual induz à percepção do que poderíamos chamar de rimas visuais.

Por fim, o ritmo conduz o olhar pois há uma tendência da percepção em acompanhar a direção sugerida por um ritmo.

Em uma comunicação visual, como veremos a seguir, são três as possibilidades da ocorrência do ritmo:

  1. Ritmo através da repetição
  2. Ritmo através da alternância
  3. Ritmo em progressão

I - Ritmo através da repetição

O ritmo repetivivo é aquele em que os elementos visuais integrantes (figuras + fundos) se repetem sem alterações.

No exemplo abaixo, o elemento visual são barras verticais vermelhas, de mesma largura e comprimento. Como vemos na seqüência da animação, o espaço vazio (fundo) entre as barras também é uniforme, tendo a mesma largura.

Este é o ritmo mais simples, onde há a repetição das mesmas características de figura e fundo.

Ritmo visual
As figuras e os fundos tem a mesma medida

Por outro lado, como se pode ver na ilustração abaixo, a repetitividade é independente da largura das figuras e dos fundos. Nesta animação, o ritmo visual também é repetitivo, pois as larguras das figuras (e dos fundos) também se repetem de modo igual.

Ritmo repetitivo
Repetitivo, independentemente da largura

Abaixo, vemos outro exemplo de ritmo repetitivo, com as figuras mais estreitas que os fundos.

Ritmo repetitivo
Outro exemplo de ritmo repetitivo

II - Ritmo através da alternância

No ritmo alternado, ao contrário do repetitivo, há um revezamento entre, ao menos, dois elementos visuais diferentes, sendo apresentados, ora um, ora outro.

No exemplo abaixo, temos duas barras vermelhas de larguras diferentes. Elas são apresentadas alternadamente, ora uma barra estreita, ora uma barra mais larga. A largura do fundo é constante.

Ritmo alternado
Um ritmo de figuras alternadas

Outra possibilidade de ritmos alternados ocorre quando há uma alternância, não das figuras presentes na comunicação visual mas, sim, na largura do fundo entre elas.

No exemplo abaixo, a largura das barras em vermelho permanece a mesma, o que se alterna é a distância entre uma barra e outra. Ora as barras estão mais próximas, ora mais distantes.

Alternância rítmica dos fundos
A alternação do ritmo se dá no fundo.

Outra possibilidade de ritmos visuais alternados ocorre quando há uma alternância simultânea e concomitante entre o tamanho das figuras e o tamanho dos fundos.

No exemplo abaixo, a largura das barras em vermelho se alterna bem como a largura do fundo, isto é, da distância entre uma barra e outra.

Ritmo de alternância de figuras e fundos
Alternância rítmica simultânea de figuras e fundos

III - Ritmo em progressão

O ritmo progressivo ocorre quando há um aumento gradual e constante em algum aspecto visual dos elementos presentes na comunicação visual.

No exemplo abaixo, há um aumento gradual da largura das barras verticais, da esquerda para a direita. A largura do fundo permanece constante.

Ritmo visualem progressão
Ritmo visual em progressão

Outra alternativa possível de ritmos progressivos é a de um aumento gradual de alguma característica do fundo presente na comunicação visual.

No exemplo abaixo, as barras verticais permanecem com largura constante, enquanto que a distância entre elas vai aumentando gradualmente.

Ritmo progressivo
O ritmo progressivo na largura do fundo

No exemplo abaixo, há uma dupla progressão: tanto as barras verticais vão aumentando em sua largura quanto a distância entre elas também.

Ritmo duplamente progressivo
Ritmo duplamente progressivo

Outra possibilidade é a ilustrada abaixo: enquanto as barras verticais vão gradualmente aumentando da esquerda para a direita, a distância entre elas vai diminuindo gradual e simultaneamente. Ambas estas alterações são ritmos progressivos, com direções distintas, entretanto.

Ritmo progressivo alternado
Dois ritmos progressivos

Ritmos em outras estruturas visuais

Até agora, para efeitos didáticos, temos mostrado exemplos apenas de barras verticais. Entretanto, muitas outras composições também podem apresentar ritmos.

Abaixo, vemos um exemplo de estrutura rítmica repetitiva com círculos.

Círculos rítmicos repetitivos
Círculos rítmicos repetitivos

Os ritmos alternados e progressivos também são possíveis em outras estruturas. Abaixo, vemos um exemplo de ritmo progressivo em círculos concêntricos, com um fundo de mesma medida.

Ritmo progressivos de círculos concêntricos
Círculos concêntricos com ritmo progressivo

Ritmos nas qualidades das superfícies

Além do que já foi apresentado, não são apenas os aspectos formais dos objetos que podem ser passíveis de ritmação.

Nos exemplos abaixo, embora as barras verticais correspondam à definição de ritmo repetitivo, as diferenças em suas superfícies podem ser consideradas como exemplos de ritmo progressivo.

Na primeira ilustração, há um ritmo progressivo que vai das tonalidades mais claras de cinza até o preto. Na segunda ilustração, há um ritmo progressivo que vai do amarelo ao vermelho, com algumas nuanças de laranja entre eles.

Ritmo nas superfícies
Superfícies ritmadas

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