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O equilíbrio na comunicação visual

© Texto de João Werner

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O equilíbrio é a arte de harmonizar as diferentes forças visuais. Basicamente o equilíbrio se dá na interação entre os elementos visuais e o suporte sobre o qual se compõe a comunicação visual.

O suporte em branco já é um campo marcado por pontos de energia. Especialmente o centro do suporte é um ponto forte na composição. É no centro que Leonardo situou a figura de Cristo na Última Ceia, por exemplo.

Uma das mais tradicionais maneiras de obter equilíbrio em uma comunicação visual, usando pontos fortes do suporte, é a chamada regra do terço. Grosso modo, divide-se o suporte em três partes e posiciona-se as figuras coincidindo-as às linhas e intersecções da divisão, como visto no exemplo à esquerda.

Por outro lado, uma das metáforas utilizadas para explicar o equilíbrio visual em uma imagem é a da balança. O eixo vertical que passa pelo centro do suporte, dividindo a composição, seria o fiel da balança. Dos dois lados deste eixo, os elementos devem ser distribuídos de maneira a que nenhum dos dois lados pareça mais pesado.

Peso, aqui, obviamente, não no sentido de peso gravitacional, mas, sim, peso como força atrativa visual. Assim, um intenso vermelho vivo seria mais pesado do que um suave azul celeste. Por exemplo, para se equilibrar duas áreas em uma composição com estas duas cores, a área em azul celeste deveria ser de tamanho bem maior que a área em vermelho para compensar a maior intensidade da cor vermelha.

Por fim, o equilíbrio pode ser estático ou dinâmico. Equilíbrio estático é obtido pelo uso da simetria. O equilíbrio dinâmico é alcançado pela fina ponderação das forças de cada figura.

Forças visuais

O autor Rudolf Arnheim tratou destes conceitos em vários de seus livros, os quais recomendo a leitura para aprofundamentos.

A visão se desenvolveu, nos milhares de anos da evolução, como um sentido relacional, isto é, como um sentido que compara, institivamente, diferentes grandezas, claridades ou distâncias. Por exemplo, nossos ancestrais viam um lobo ao longe. Ele se aproxima ou se afasta de nós? Está longe o suficiente para não ameaçar nossa segurança? É um lobo jovem ou adulto? Está sozinho ou em matilha? Etc.

Assim, a percepção visual nunca foi passiva, isto é, um mero registro das qualidades luminosas. Ao contrário, desde sempre a nossa sobrevivência dependeu de comparações e aferições visuais rápidas, constantes e, digamos, dramáticas. Há uma urgência em cada olhar que, mesmo hoje, quem atravessa uma movimentada avenida de uma grande metrópole ainda sente.

As forças visuais seriam, então, não forças no sentido físico do termo mas, sim, aspectos formais visuais que contém algum componente motivacional ou expressivo. Isto é, comparativamente a outros aspectos formais, o que denominamos de "força visual" é o elemento visual mais intenso, mais atrativo ou mais significativo para os observadores. Evidentemente, há pessoas mais ou menos sensíveis a esta motivação visual, bem como há aspectos formais mais ou menos motivadores.

Portanto, para obter equilíbrio em uma comunicação visual é preciso ponderar as diferentes forças visuais presentes, de modo a que se harmonizem, sem se anular. Nós pretendemos que cada força visual individual presente em nossa criação acrescente para um todo coerente e expressivo, mas sem que uma força visual impeça outras forças de atuar. Se há equilíbrio na comunicação visual, então há uma maior clareza conceitual e expressividade. Se os elementos visuais estão desequilibrados, então tem-se uma comunicação visual tíbia e confusa.

O centro

A primeira força visual que apresentaremos é caracterizada pelo conceito da centralidade. O conceito do centro identifica um lugar, isto é, uma determinada posição espacial. O centro é um lugar significativo e, também, doador de significado. Isto é, por ser um lugar "vazio", qualquer figura que ocupe a posição central imediatamente "herda" uma ampliação de seu significado.

Do ponto de vista fisiológico, o centro da visão é identificado pela mácula lútea (ver Wikipedia). É a região central de nossa retina, responsável pela nossa visão mais acurada e precisa. Em torno da mácula, a visão é periférica e mais difusa. Quando estamos atentos a algo, dirigimos o foco de nossa visão para o objeto que nos chama a atenção. A visão focaliza o objeto e o torna o "centro de nossas atenções". Assim, o centro da visão é o ponto mais preciso e intenso de nossa atenção e, portanto, de nossa consciência.

O centro é definido pelos seus contornos. Isto é, por mais complexos que sejam, são os contornos que demarcam o centro de qualquer figura. O centro é a região espacial equidistante de todas as suas margens. Não existe centro sem contorno. Quanto mais imprecisas as margens, mais difícil é definir o centro.

Do ponto de vista da comunicação visual, o primeiro centro que se apresenta é o que é definido pelos contornos do suporte. Se o suporte é retangular, por exemplo, o centro é facilmente percebido e identificado, como vemos no exemplo abaixo, através das linhas tracejadas.

ECentro do suporte
Identificação do centro de suporte retangular

Outros suportes mais complexos também têm centros identificáveis. Abaixo, vemos o célebre afresco "Escola de Atenas", de Rafael. Observe que a parte superior do suporte é semicircular, determinada pelo arco da parede onde se situa o afresco. Também, observe que demarcamos os contornos da pintura com linhas amarelas e, a partir daí, identificamos o centro do afresco com linhas em verde. As duas figuras que ocupam a região central são, segundo a Wikipedia, Platão e Aristóteles. Inclusive, em que pese a imperfeição desta nossa análise gráfica, o centro preciso do afresco é ocupado pelo livro "Timeu", que Platão segura em suas mãos.

Equilíbrio em um afresco de Rafael
Rafael Sanzio, "Escola de Atenas",
1506-10, afresco, 5 x 7 mt.,
Palácio Apostólico, Vaticano.
fonte: Wikipedia.

O poder do centro desde há muito tempo é reconhecido e utilizado por artistas plásticos. Abaixo, por exemplo, vemos um mosaico bizantino, onde o Imperador Justiniano I está ladeado por seus súditos. A importância da figura do imperador é confirmada, visualmente, entre outros aspectos, por ele estar posicionado ao centro do grupo de figuras. Do mesmo modo, a importância de cada figura é determinada conforme a distância que está do imperador, isto é, conforme vai se afastando do centro. Por exemplo, sabemos que, imediatamente à direita do imperador, está Belisário (de bigode) e, à esquerda do imperador, está Narses. Ambos foram importantes generais bizantinos.

Mosaico de Ravena
"O Imperador Justiniano I e seu séquito",
mosaico, 547 d.C..
Basílica de São Vital, Ravena, Itália.
fonte: Wikipedia.

Mais uma vez lembramos, como temos feito em diversos outros tópicos abordados no Aula de Arte, que não é nem melhor nem pior ocupar o centro do suporte. Trata-se, apenas, de escolher qual é a estratégia mais eficaz de comunicação visual.

Estrutura oculta do suporte

Em um suporte padrão, além da região central, também temos outras posições espaciais que acrescentam força às figuras ali colocadas. Estas regiões significadoras são concidentes com a estrutura geométrica intrínseca, própria do formato do suporte.

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