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Introdução à cor na comunicação visual

© Texto de João Werner

A cor é a mais emotiva das características das superfícies. A cor tranqüiliza, agride, enleva ou entristece.

Cor é luz, tanto a luz vinda de uma fonte luminosa quanto a luz que é refletida pelas superfícies dos objetos.

No primeiro caso, a cor resultante é chamada de cor-luz. No segundo caso, é denominada de cor-pigmento.

A cor-luz

O sol emite uma infinidade de ondas eletromagnéticas, entre as quais estão as radiações que denominamos de raios-X, radiação ultravioleta, raios cósmicos, radiação infravermelha e as ondas de radiocomunicação, por exemplo.

Dentre esta imensa quantidade de radiação eletromagnética emitida pelo sol, uma ínfima parcela é muito especial, pois é a parcela de radiação a que somos visualmente sensíveis. Nossas retinas captam e reagem a esta específica radiação solar a que denominamos de LUZ. A luz do sol é visível para nós como uma luz branca.

Radiação eletromagnética
A radiação eletromagnética emitida pelo sol

O físico Isaac Newton utilizou-se de uma pirâmide de cristal polido para analisar a luz solar. Quando colocou a pirâmide de cristal sob a luz solar, Newton observou que o cristal dispersava a luz, isto é, separava-a em várias luzes coloridas. O cristal decompôs a luz solar e Newton obteve um pequeno arco-íris.

Isto significou que a luz visível solar não é homogênea mas, sim, a soma de diversas luzes coloridas. Quando vemos a luz solar, nós vemos todas estas luzes coloridas somadas, o que resulta na luz branca.

Prisma decompondo a luz solar
O prisma decompondo a luz solar

As cores decompostas no arco-íris vão "transitando", de uma a outra, de um modo contínuo, isto é, sem “degraus” ou passagens abruptas. A luz vermelha vai se tornando gradualmente laranja e, esta, vai passando gradualmente para a luz amarela etc., como visto abaixo.

Além disso, esta é apenas uma ínfima parte do espectro eletromagnético do sol. Tanto que, como vemos na ilustração abaixo, um pouco além do comprimento das ondas luminosas vermelhas existem as ondas eletromagnéticas denominadas de infravermelhas e, um pouco aquém do comprimento das ondas violetas, temos as ondas eletromagnéticas ultravioletas.

Tanto as ondas infravermelhas quanto as ultravioletas são invisíveis para nós. Mas, a nossa televisão, por exemplo, "enxerga" o infravermelho emitido pelo controle remoto. Para outras informações sobre a física da luz, ver este ensaio na Wikipedia.

Espectro eletromagnético
O espectro eletromagnético visível

Para efeitos de simplificação, convencionou-se destacar apenas sete cores-luz principais como as cores formadoras da luz solar branca mas, evidentemente, esta escolha foi arbitrária. As sete luzes coloridas principais são, em ordem de comprimento de onda: vermelho, laranja, amarelo, verde, ciano, azul e violeta.

As sete cores componentes da luz
As sete cores componentes da luz

Além de separar a luz do sol em suas sete componentes, Newton também descobriu que fazia sentido somar as luzes, isto é, misturá-las.

Como na ilustração abaixo, se somarmos as três cores-luz vermelha, azul e verde, nós obteremos a luz branca. Para somar as luzes, nós projetamos três refletores sobre um mesmo ponto, cada refletor projetando uma cor-luz.

 

luz vermelha + luz azul + luz verde = luz BRANCA

 

Mistura de três cores luz primárias
Mistura de três cores-luz com refletores

Isto levou Newton a propor que estas três cores-luz seriam as mais importantes pois, com apenas as três, poderíamos obter a luz branca original novamente. Estas três cores-luz passaram a ser denominadas de cores-luz primárias.

Além disso, se usássemos apenas dois refletores, um com luz vermelha e outro com luz azul (como visto no nº 1, abaixo), e somássemos as suas luzes, a cor-luz resultante seria a violeta. Por outro lado, como vemos no nº 2, se somássemos uma luz azul com uma luz verde, obteríamos a cor-luz ciano. E, se somássemos uma luz vermelha com uma luz verde obteríamos a cor-luz amarela, como visto no nº 3.

Mistura de cores-luz
A mistura de cores-luz

Estas três cores-luz primárias, somadas em partes variáveis, podem produzir todas as outras cores-luz do espectro luminoso. Além disso, nenhuma soma de outras cores-luz produziria a cor-luz vermelha, a verde ou a azul.

Esta é chamada de mistura aditiva de cores, por ser uma soma de luzes coloridas.

Assim, como é visto na ilustração resumida, abaixo:

   cor-luz violeta = vermelho + azul (nº 1)
cor-luz ciano = azul + verde (nº 2)
    cor-luz amarela = vermelho + verde (nº 3)

Três cores luz
As três cores-luz primárias e secundárias

Como as três cores-luz violeta, ciano e amarelo são resultantes das misturas de cores-luz primárias, elas foram denominadas de cores-luz secundárias.

NNa ilustração abaixo, nós vemos estas misturas apresentados em um diagrama circular, com as três cores-luz principais nos círculos maiores, as três cores-luz secundárias nos espaços menores e, por fim, o branco no centro.

Cores-luz primárias e secundárias
Cores-luz primárias e secundárias

A soma da cor-luz vermelha mais a cor-luz verde produz a cor-luz amarela. Nesta mistura, falta a cor-luz azul. Por isso diz-se que a cor-luz azul e a cor-luz amarela são cores complementares entre si. Isso significa que a cor secundária complementaria o que "falta" na cor-luz primária. Assim, também, o par cor-luz verde x violeta e o par vermelho x ciano são complementares entre si.

Os três pares de cores-luz complementares seriam assim como é visto no diagrama abaixo./p>

VVermelho (primária) x Ciano (secundária)
            Azul (primária) x Amarelo (secundária)
    Verde (P) x Violeta (S)

Très pares de complementares
Os três pares de cores-luz complementares

Por outro lado, nós podemos organizar visualmente estes conceitos utilizando-nos de um diagrama chamado de círculo das cores.

TTrata-se de colocar as três cores-luz primárias (identificadas, no diagrama, com a letra P) e as três cores-luz secundárias (letra S) em um diagrama circular como visto abaixo.

Círculo das cores
Círculo das cores-luz

Esta ferramenta é arbitrária, claramente, pois a cor-luz vermelha e a cor-luz violeta não se encontram no espectro das cores, como mostramos anteriormente, mas são justapostas, lado a lado, no círculo das cores.

Observando o diagrama acima, vemos que as cores-luz secundárias estão posicionadas entre as duas cores primárias que as constituem. O amarelo, por exemplo, está posicionado entre o vermelho e o verde.

Além disso, vemos que a posição das cores primárias no círculo é diametralmente oposta à posição da sua cor complementar. Esta relação é identificada pelas setas. Novamente, o amarelo, por exemplo, está posicionado diametralmente oposto ao azul.

Por outro lado, como vemos na ilustração abaixo, nós não precisamos limitar nosso círculo de cores a apenas às seis cores iniciais. Podemos, em teoria, aumentar o número de cores indefinidamente no círculo.

No círculo de cores abaixo, por exemplo, nós aumentamos as cores para 12, acrescentando mais 6 cores que poderíamos denominar de terciárias (T), pois elas são a soma de uma cor primária com uma cor secundária.

Círculo das cores-luz primárias secundárias e terciárias
Círculo das cores-luz com terciárias

O conceito de cores complementares também fundamenta uma teoria da fisiologia da visão.

Quando nós observamos uma cor intensa por muito tempo, tal como quando olhamos para uma lâmpada acesa, quando desviamos nosso olhar nós vemos o que é denominado de pós-imagem, isto é, uma imagem similar àquela que havíamos visto antes, só que colorida pela(s) sua(s) cor(es) complementar(es). Assim, se a imagem era de um intenso amarelo, nós veremos uma pós-imagem em cor azul e assim por diante.

O experimento abaixo ilustra esta condição de nossa percepção. Você verá, por alguns segundos, uma imagem em cores vibrantes. Você deverá olhar fixamente para o ponto central desta imagem, sem desviar os olhos. Após alguns segundos, a imagem original será substituída por uma tela em branco.

Caso a teoria da fisiologia da visão esteja certa, você deverá ver uma pós-imagem, similar à imagem inicial, mas colorida com as cores complementares.

Pós imagem
Pós imagem fisiológica

As três cores-luz primárias são muito utilizadas em nosso cotidiano, especialmente em monitores de computador e nas televisões.

Um pixel
Representação ampliada de um pixel

As imagens que vemos em nossos computadores são produzidas através da combinação de minúsculos pontos coloridos, compostos pelas três cores-luz primárias. Cada ponto composto é denominado de pixel (ver na Wikipedia).

Conforme as minúsculas luzes vermelho-verde-azul do monitor se acendem ou se apagam, obtém-se toda a infinidade de cores que vemos nas imagens. Este padrão cromático de monitores é denominado de padrão RGB, pelas iniciais, em inglês, das três cores-luz primárias: Red (vermelho), Green (verde) e Blue (azul).

Abaixo, vemos a tela de um monitor ampliada, onde se vê os milhares de pixels coloridos.

Tela com pixels
Tela de um monitor ampliada

Para mais informações sobre a cor, enquanto um fenômeno físico, ver esta página da Wikipedia.

A cor-pigmento

Até agora, temos falado de cor enquanto um fenômeno luminoso, isto é, enquanto uma qualidade visível de determinadas ondas eletromagnéticas.

AAgora passaremos a falar das chamadas cores-pigmento, isto é, falaremos da cor enquanto resultante das qualidades químicas dos objetos que absorvem ou refletem as luzes cromáticas.

As cores que nós percebemos nos objetos são, na verdade, luz refletida./p>

Considerando que a luz solar branca é, como vimos, composta de todas as cores do espectro cromático, cada objeto do mundo tem uma estrutura química peculiar que absorve certas luzes-coloridas enquanto reflete outras.

NNo exemplo abaixo, simplificando, o plano em verde absorve todas as cores-luz do espectro, exceto a cor-luz verde, a qual ele reflete. Por isso, vemos o plano na cor verde. O mesmo ocorre quando o plano é vermelho. Ele absorve todas as faixas do espectro cromátrico, menos a vermelha, a qual ele reflete.

Por outro lado, vermos um objeto branco significa que ele reflete todas as faixas do espectro cromático e não absorve nenhuma. E, ao contrário, um objeto em preto absorve todas as faixas cromáticas e não reflete nenhuma./p>

Isso significa que, qualquer que seja a cor que vemos em um objeto, todos os outros raios luminosos cromáticos foram absorvidos, não refletidos.

Absorção de luz e cor
Os objetos refletem parte da luz incidente

Cada material tem um índice de reflexão (ou absorção) da luz que incide sobre si. Um espelho, por exemplo, tem um alto índice de reflexão da luz (ou, em outras palavras, um baixo índice de absorção). Quanto mais claro um objeto, maior é a reflexão de luz que sua matéria realiza.

Isso implica em que a cor pigmento é, na verdade, subtrativa: é o resultado de diversas subtrações que a estrutura química dos objetos provocam na luz branca. Quanto mais escura a cor, mais ela subtrai da luz que incide sobre ela. Quanto mais clara, menos subtrai.

Este fator subtrativo da cor-pigmento tem uma profunda e significativa diferença com relação à cor-luz.

Como vimos, quando eu projeto dois refletores de cores diferentes para um mesmo ponto, eu estou somando as suas cores-luz. Isto significa que o resultado da soma será mais luminoso que as duas luzes que estão sendo somadas.

É exatamente o oposto o que ocorre com a cor-pigmento.

Imagine que eu tenho uma lata de tinta vermelha (visto abaixo, nº 1). É uma cor-pigmento, portanto, todas as outras cores-luz foram subtraídas menos a cor vermelha que está sendo refletida em direção aos meus olhos. Além desta, eu tenho outra lata de tinta na cor verde (nº 2). Da mesma maneira, todas as cores-luz foram subtraídas menos a cor verde.

Mistura subtrativa de cores
Mistura subtrativa de cores

Se eu misturar as duas tintas das latas, a subtração de cores-luz vai ser ampliada. Vamos subtrair todas as cores-luz da tinta e vermelha e, além disso, subtrair mais todas as cores-luz da tinta verde.

O resultado desta mistura (nº 3, no exemplo acima) vai ser mais escuro do que as duas cores pigmento que foram misturadas, pois foram subtraídas ainda mais cores-luz da mistura. Isto significa que:

         misturar cores-luz = o resultado será mais claro
misturar cores-pigmento = o resultado será mais escuro

Quando dizemos "verde", estamos nos referindo a uma determinada luz que atinge nossa retina. Se esta cor é produzida por uma fonte luminosa, ela é mais intensa do que se fosse uma cor refletida por um objeto.

Além disso, é preciso relembrar que este monitor onde você lê estas aulas é desenvolvido para utilizar as cores-luz. Sendo assim, é impossível demonstrar com exatidão, neste monitor, as qualidades da cor-pigmento.

As três dimensões da cor

A cor-pigmento - isto é, a cor que é refletida pelos objetos - é composta de três dimensões complementares: matiz, saturação e brilho. Ou seja, toda cor apresenta estas três dimensões simultaneamente.

Matiz (abaixo) diz respeito ao aspecto cromático em si, isto é, matiz é como denominamos as diferentes longitudes de onda eletromagnéticas, responsáveis pela nossa percepção das cores. Assim, temos o matiz vermelho, o matiz amarelo etc.

O matiz das cores
A dimensão matiz da cor

Saturação (abaixo) diz respeito à pureza da cor. Quanto mais pura a cor, mais saturada ela será. No caso da comunicação visual, pode-se diminuir a saturação de uma cor pela mistura com o cinza. Quanto mais cinza misturamos em uma cor, menos pura ela será. Abaixo, vemos, à esquerda, um círculo em vermelho puro. Conforme vamos caminhando para a direita, o vermelho vai ficando cada vez menos saturado, até que, no último círculo, temos o cinza.

A dimensão saturação da cor
A dimensão saturação da cor

Já o brilho (ou tonalidade) diz respeito ao índice de intensidade luminosa da cor, isto é, indica quanto mais luz colorida o objeto reflete. Como podemos ver abaixo, nós organizamos sete índices de luminosidade do matiz vermelho. O círculo central é o índice próprio da cor. À esquerda, o vermelho vai ficando mais luminoso e, à direita, mais escuro.

A dimensão tonalidade da cor
A dimensão tonalidade da cor

Qualquer alteração em uma das três dimensões da cor, altera as outras duas. Se tornarmos uma cor mais escura, também estaremos alterando sua saturação e, por fim, a própria cor é alterada.

Quando falamos de cor, então, estamos falando de:

COR = MATIZ + TONALIDADE + SATURAÇÃO

As três cores pigmento primárias

Do mesmo modo que a cor-luz tem suas três cores primárias, também a cor-pigmento tem as suas cores primárias. Elas são o vermelho, o azul e o amarelo.

As três cores pigmento primárias
As três cores-pigmento primárias

Nenhuma mistura de cores-pigmento pode produzir o vermelho, o amarelo ou o azul, mas, misturando-se estas três cores, em quantidades variadas, pode-se obter, por subtração, quaisquer outras cores-pigmento.

Os métodos de misturas subtrativas das cores-pigmento são similares às das cores-luz. A partir das três cores primárias, pode-se obter as seguintes cores secundárias:

    (1) Vermelho + Azul = Roxo
(2) Vermelho + Amarelo = Laranja
      (3) Azul + Amarelo = Verde

Misturas de cores-pimento
Misturas de cores-pigmento

Vê-se, nas misturas de tintas (não aqui no monitor, claro), que o roxo resultante da mistura é mais escuro que o vermelho; que o laranja é mais escuro que o amarelo, e que o verde é mais escuro do que o amarelo. Comprovando que misturas de cor-pigmento são mais escuras que as cores originais.

Além disso, a mistura subtrativa das três cores-pigmento primárias produzirá um tom de cinza escuro, quase preto, como visto abaixo.

Mistura das três cores-pigmento
Mistura das 3 cores-pigmento entre si

Na ilustração abaixo, organizando as cores-pigmento em um círculo das cores, podemos avaliar os pares complementares, os quais são diferentes dos pares complementares das cores-luz. São eles:

Vermelho x Verde
 Amarelo x Roxo
           Azul x Laranja

Círculo das cores pigmento
Círculo das cores-pigmento

Somados

A cor-pigmento transparente

Um tipo especial de cores-pigmento é a utilizada pela indústria gráfica, a qual se utiliza de tintas transparentes para imprimir e, para reproduzir corretamente as cores dos objetos na impressão, utiliza-se de três cores-pigmento primárias diferentes: o ciano, o amarelo e o magenta.

Com os nomes em inglês destas cores, chama-se este padrão de cores primárias da indústria gráfica de padrão CMYK: Cyan (C), Magenta (M), Yellow (Y) e black (K), como visto na ilustração abaixo.

Cores-pigmento transparentes
Cores-pigmento transparentes

A maioria dos tipos de impressão gráfica, tais como revistas, jornais coloridos, panfletos, cartazes etc, utiliza-se deste padrão de cores pigmento transparente.

Abaixo, vemos o círculo com as cores do padrão CMYK. As três primárias estão marcadas com a letra P. As três cores secundárias, com a letra S e, as 6 cores terciárias, com a letra T.

O círculo de cores-pigmento transparentes
O círculo de cores-pigmento transparentes

As cores nos softwares gráficos

Os principais softwares gráficos do mercado permitem trabalhar com as três dimensões da cor: cor-luz, cor-pigmento e cor-pigmento transparente.

Os monitores, como já vimos, funcionam com o padrão cor-luz, RGB. Para poder manipular os outros dois padrões, os softwares fazem uma "tradução", convertendo estes padrões para o RGB.

Isto é, quando você trabalha com o padrão CMYK, por exemplo, o software gráfico converte os valores das cores para mostrá-los, aproximadamente, no monitor RGB. As cores vistas não serão exatamente como serão impressas, pois, como vimos, a tríade de primárias de um processo cromático é completamente diferente da do outro.

Abaixo, vemos a paleta de cores RGB do software gráfico Corel Draw™. As paletas dos outros softwares gráficos são similares. Observe que os valores de cada cor (R,G,B) variam em um número inteiro de 0 a 255 (indicado, na ilustração, pelo nº 2). Se multiplicarmos 255x255x255, obteremos o valor de 16.581.375 de cores possíveis no monitor. A cor mostrada abaixo é o vermelho, com o respectivo valor de R em 255, e os valores de G e B em 0.

Paleta RGB do Corel Draw
Paleta RGB do Corel Draw

Nas duas paletas mostradas abaixo, por outro lado, temos as outras duas cores em sua máxima intensidade. Na paleta nº 1, temos o valor de G em 255 e os valores de R e B em 0. Na paleta nº 2, o valor de B é 255 e os valores de R e G em 0.

Paletas de cores G e B
Valores de G e de B em 255, R em 0

Abaixo, nós vemos as três cores-luz secundárias, produzidas na paleta RGB. O amarelo é uma mistura de 255 de R e 255 de G (nº 1). O violeta é uma mistura de 255 de R e 255 de B (nº 2). O ciano é uma mistura de 255 de G e 255 de B (nº 3).

Três cores-luz secundárias
As 3 cores-luz secundárias na paleta RGB

Por outro lado, na paleta nº 1, abaixo, as três cores estão com valor de 255 e observamos que a cor resultante é o branco. Aqui, nós somamos as três cores-luz primárias em sua máxima intensidade, R 255 + G 255 + B 255. Por isso, o resultado é o branco. Se os valores fossem 0, como na paleta nº 2, nós teríamos o preto.

Preto e branco na paleta RGB
Paletas RGB com o preto e o branco

Se alterarmos os valores de RGB de modo idêntico, obteremos uma variação de 253 tons de cinza diferentes. Lembre-se, o valor de 0x0x0 é preto e o valor de 255x255x255 é o branco. Na paleta nº 1, abaixo, vemos um cinza escuro, com os valores de R 50 x G 50 x B 50. Já na paleta nº 2, os valores são de 125x125x125 e o cinza é um tom mais claro. A paleta nº 3, por fim, tem os valores idênticos de 200, resultando no tom de cinza mais luminoso.

Três tons de cinza na paleta RGB
Tons de cinza na paleta RGB

Resumindo o que mostramos até agora, como vemos na ilustração abaixo, na fileira nº 1, uma cor torna-se mais escura quando diminuimos o seu valor de 255 (cor pura) para valores menores. Devemos manter os outros dois valores (no caso, G e B) em 0.

Para tornar uma cor mais clara, como vemos na fileira nº 2, nós devemos manter o valor principal da cor inalterado, variando os outros dois valores de modo idêntico.

Entretanto, para variar a saturação de uma cor, como vemos nas fileiras nº 3 e nº 4, nós devemos variar os três valores RGB. O valor principal da cor deve diminuir enquanto os outros dois valores devem elevar-se, por igual. Quando os três valores estiverem iguais, então teremos um cinza.

Por fim, para obter-se apenas tons de cinza, devemos variar por igual os três valores de RGB, como vemos nas fileiras nº 5 e nº 6.

Variação das cores no modelo RGB
Variação das cores no modelo RGB

A paleta HSL

O Corel Draw oferece uma ferramenta que simplifica estes cálculos com os valores RGB das cores. Trata-se da janela de encaixe denominada HLS, isto é, Hue (matiz), Luminosity (luminosidade) e Saturation (saturação).

Os valores de matiz (H) vão de 0 até 360, em números inteiros, como vemos na ilustração abaixo. Os valores de 0 e 360 identificam a mesma cor, o vermelho. E há, aqui, uma grande sacada dos criadores destas paletas. Ao reduzirem todo o espectro cromático a 360 diferentes níveis, repetindo a mesma cor nas duas extremidades, eles possibilitaram distribuir as cores do espectro em um círculo completo, com 360º. Veremos exemplos mais à frente.

Em seguida, como vemos no nº 2, abaixo, os valores de luminosidade (L) têm 100 níveis distintos. A cor, em sua tonalidade pura, está posicionada no nível 50 desta escala. Ela vai escurecendo, conforme reduzimos os valores de 50 até o nível 0 e vai clareando conforme aumentamos o seu nível até o valor de 100. O valor de 0 é o preto e o valor de 100 é o branco.

A saturação (S), indicada pelo nº 3 na ilustração abaixo, também tem 100 níveis distintos. A cor pura, totalmente saturada, corresponde ao valor de 100 nesta escala e, conforme vão se reduzindo os valores, a cor vai se tornando cada vez mais cinza, menos saturada. O valor de 0, nesta escala, corresponde ao cinza puro.

Paleta HSL
A paleta HSL do Corel Draw

Considerando que a paleta HLS tem o vermelho como o valor de 0 e, também, com o valor de 360 (como já dissemos), vamos usar desta paleta para criar um círculo de matizes.

 Como pode ser visto na ilustração abaixo, nós destacamos 36 cores, cujos valores de matiz (H) têm intervalos de 10° em 10°.

Sendo assim, por exemplo, observando o círculo de matizes abaixo, o vermelho está na posição 0° e 360°; o amarelo na posição 60°; o verde na posição 120°, o azul ciano na posição 180° e o azul teria o valor de 240° etc.

Círculo de cores
Círculo de matizes da paleta HLS

Este círculo de matizes é uma ferramenta fundamental para harmonizar cores e será visto em detalhes em nossa página Harmonia de cores.

A tonalidade das cores

Como as cores dos objetos são luz refletida, cada cor tem um índice próprio de reflexão, o que torna algumas cores mais luminosas do que outras.

Um amarelo, por exemplo, é mais luminoso que um azul.

Abaixo, à esquerda, vemos uma sequência de 12 de quadrados coloridos com matizes variados. Já na ilustração à direita, nós vemos os mesmos matizes, só que eles foram convertidos a tons de cinza. Cada quadrado à direita é uma equivalência "acromática" de cada cor vista à esquerda. Vemos, assim, como cada cor tem um tom próprio.

Matizes
Os tons próprios de cada matiz

Podemos ver como o violeta nº 12, acima, é o matiz mais escuro do conjunto, mais do que verde nº 4, por exemplo, e, também, como este é mais escuro do que o amarelo nº 3. Estamos, aqui, apenas comparando as tonalidades próprias de cada matiz.

Além disso, na paleta HLS, nós podemos variar a tonalidade de um único matiz.

Na ilustração abaixo, nós vemos 4 paletas HLS, onde há um mesmo matiz, um laranja de H=30°. Na paleta nº 1, o valor da luminosidade é o padrão, L=50. Na paleta nº 2, o valor de L foi alterado para 25, o que tornou o mesmo matiz, M=30, mais escuro. Na paleta nº 3, o valor de L foi alterado para 75, tornando-se mais claro.

Variação de luminosidade da paleta HLS
Variação de luminosidade da paleta HLS

Abaixo, vemos um gráfico composto de onze colunas por 7 linhas de círculos.

Os valores marcados no topo de cada coluna correspondem aos valores de luminosidade (L) para cada matiz na paleta HLS.

Por outro lado, nas linhas horizontais nós vemos a variação de matizes. O valor de H=0 corresponde a um vermelho, o valor de H=120, a um verde e o valor de H=300, a um violeta, por exemplo.

À direita das colunas no gráfico, vemos o valor de L=0, que corresponde ao preto puro. À esquerda, vemos o valor de L=100, que corresponde ao branco.
A coluna com o valor de médio de L=50 corresponde aos matizes puros, sem variação de tonalidade.

Valores menores de 50 são tons escuros enquanto que valores maiores de 50 representam os tons mais claros.

Escala de matizes e tonalidades
Escala de matizes e tonalidades

Nas ilustrações abaixo, nós temos três repetições da mesma composição geométrica.

Na composição nº 1, nós apresentamos as cores originais, puras, todas com o valor de 50 de luminosidade (L) na paleta HLS.

Na composição nº 2, por outro lado, todas as cores tiveram seus tons alterados para 25 na paleta HLS.

Na composição nº 3, por fim, nós aumentamos o brilho das cores na paleta HLS para 75, tornando toda a composição mais luminosa.

Três composições com tons diferentes
Três composições geométricas com tons diferentes

Nas outras duas reproduções abaixo, utilizando-nos da mesma composição geométrica, nós fizemos um outro exercício com as tonalidades das cores.

Na ilustração nº 4, todas as formas da composição são em tons escuros como visto na ilustração nº 2, anterior. Entretanto, apenas uma única figura ficou em tom mais claro. Isso projetou esta forma em específico à frente, destacando-a do restante e tornando-a figura. Criou-se, por isso, uma relação figura-fundo mais acentuada.

Da mesma maneira na ilustração nº 5, mas com valores invertidos, ao invés dos mais escuros, temos os tonalidades mais claras. Dentre todas as outras, apenas uma única forma ficou com valores originais e, por isso, tornou-se destacada em relação ao restante.

Estes casos indicam como se pode diferenciar figura de fundo apenas usando o método do contraste de tonalidades.

Variações de tonalidades
Variações de tonalidades

A saturação das cores

A saturação de uma cor, na paleta HLS, varia desde a intensidade total do matiz até o cinza. Na ilustração abaixo, vemos um gráfico com 11 colunas por 7 linhas.

Nas linhas, vemos a variação dos matizes, de H=0, vermelho, a H=300, violeta. Nas colunas, por outro lado, vemos a variação da saturação (S).

Na coluna mais à esquerda, vemos o valor da saturação em 100, o que indica o matiz puro.

Conforme as colunas avançam para a direita, a saturação vai diminuindo, o que torna cada matiz mas acinzentado. Caminhando para a direita, nós dizemos que o matiz torna-se dessaturado.

A última coluna, à direita, tem o valor de S=0, o que indica um cinza puro.

Saturação dos matizes
Saturação dos matizes

No exemplo nº 1, abaixo, temos uma composição toda em tons saturados ao máximo, com o valor de S=100. Já na ilustração nº 2, ao contrário, todas as formas na composição tem os matizes dessaturados, com o valor de S=25.

Matizes saturados e dessaturados
Matizes saturados e dessaturados

Cores quentes e cores frias

Outra distinção muito conhecida na teoria das cores é a que se faz entre cores quentes e cores frias.

Não é uma distinção técnica como o são os conceitos de tonalidade ou de saturação. Entretanto, o seu largo uso no meio da comunicação visual nos leva a apresentá-la.

É baseada na similaridade entre algumas cores e as cores do fogo e do gelo. Assim, vermelhos, laranjas e amarelos são consideradas cores quentes por serem cores vistas nas chamas do fogo, enquanto que azuis e verdes-água são consideradas cores frias por serem cores vistas no gelo. Abaixo, vemos uma distribuição de seis cores em dois círculos de cores.

Cores quentes e cores frias
Cores quentes e cores frias

Entretanto, esta é uma teoria simplória das cores pois não dá conta da razão de que alguns azuis são "quentes" ou do fato de que alguns vermelhos são "frios". Abaixo, vemos exemplos desta situação. Em um círculo estão indicados quatro azuis e verdes “quentes” e, no outro círculo, quatro vermelhos “frios”.

Para um maior controle na criação da comunicação visual, é mais útil usar os conceitos de saturação e tonalidade.

Azuis quentes e vermelhos frios
Azuis quentes e vermelhos frios

Contrastes simultâneos

O contraste é um fator fundamental para toda a comunicação visual mas, na teoria das cores, reveste-se de ainda mais importância.

De modo simplificado, quando colocamos duas cores lado a lado, uma cor influencia na percepção que temos da segunda cor e vice-versa. Por isso, este efeito é chamado de contraste simultâneo, pois a percepção de ambas as cores sofre uma alteração simultânea.

Este efeito visual foi apresentado de modo muito evidente e sofisticado pelo autor Israel Pedrosa, em seu livro "Da cor à cor inexistente".

Na ilustração abaixo, vemos, à esquerda, um losango vermelho. Em seguida, o losango é deslocado para à direita, inserindo-se em um retângulo de listras verticais, azuis e amarelas, alternadas.

Entretanto, quando o losango se insere no retângulo, temos a sensação de que a parte superior do losango fica mais luminosa do que a parte inferior. Isto é, embora saibamos que o losango tem uma cor uniforme de vermelho, o arranjo de listras azuis e amarelas nos ilude e influencia o modo como percebemos o losango, quando este está inserido no retângulo.

Contraste simultâneo de matiz
Contraste simultâneo de matiz

O contraste simultâneo também acontece em relação às tonalidades. Também a percepção dos tons de cinza sofre variações em função do contraste simultâneo.

Na ilustração abaixo, vemos, à esquerda, três ovais em um tom de cinza homogêneo. E, à direita, vemos um retângulo de listras pretas e brancas alternadas.

Quando os três círculos se movem para a direita e se inserem entre as listras verticais do retângulo, temos a impressão de que a parte de cima das três ovais fica mais escura que a parte de baixo. Este efeito puramente ilusório é ocasionado apenas pela ação do contraste simultâneo.

Contraste simultâneo de tonalidades
Contraste simultâneo de tonalidades

Analogia de cores e significados

Outro fator importante no uso das cores é o hábito que temos de associar certas cores a certos materiais ou objetos. Assim o céu pode ser azul, ou vermelho ao nascer do sol. Vegetação é, em geral, verde e as frutas, vermelhas.

Se uma fruta está azulada ou acinzentada, quando o seu normal é vermelho, por exemplo, podemos considerá-la estragada, imprópria para consumo.

Como vemos na ilustração nº 1, abaixo, temos um arranjo de frutas maduras. Já na ilustração nº 2, as cores das mesmas frutas foram alteradas por computador, causando um estranhamento.

Cores e significados habituais
Cores e significados habituais

Na ilustração abaixo, vemos uma aplicação importante deste princípio no design de produto.

Suponha que estamos vendendo água mineral em um vasilhame plástico. À esquerda, vemos o padrão da indústria, que é o vasilhame azul.

Fosse o vasilhame marrom, como visto à direita, mesmo que a água fosse quimicamente tão pura quanto a outra do frasco azul, teríamos a impressão de ser uma água suja, imprópria para consumo.

Este é um fator importante no uso da cor na comunicação visual.

Cor de vasilhames
A cor das embalagens e os hábitos

Cor e legibilidade

O último fator importante que apresentaremos no uso da cor na comunicação visual, trata da legibilidade de um texto.

Quando pretendemos que um texto tenha muito contraste com seu fundo, optamos por algumas combinações de cores como as mostradas na ilustração abaixo.

Além das evidentes combinações de preto sobre branco e de branco sobre preto, outras combinações mais legíveis estão indicadas na coluna à esquerda.

As combinações menos legíveis também são utilizadas, mas com objetivos comunicativos bem específicos.

Cores mais e menos legíveis
Combinações de cores mais e menos legíveis

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