A composição é a essência da comunicação visual.
Trata-se
basicamente das regras para organizar os elementos visuais - formas e
superfícies - em mensagens que alcancem seus objetivos comunicativos, que
agradem, que emocionem. A composição corresponde a uma síntese
entre intelecto e emoção, entre o princípio da ordem geométrica e o da
intuição. Ao mesmo tempo que a composição restringe - dada a sua
rigidez - cabe ao artista a adequação da estrutura à expressividade que
tem em mente. Segundo uma velha fórmula da estética, trata-se de
realizar uma síntese entre a liberdade humana e as determinações da
natureza. Nas mãos de gênios como Leonardo e Botticelli, a armação
geométrica em nada reduz a naturalidade e a emotividade das figuras,
ampliando-lhes a beleza.
Botticelli, 1477-8, A alegoria da
Primavera, painel, 315x205 cm, Galleria degli Uffizi, Florença.
Considerada por muitos uma das dez obras de arte mais importantes da
história. No diagrama acima pode-se ver - através das linhas
pontilhadas em branco - como Botticelli dividiu a pintura em 9
segmentos verticais. As figuras foram dispostas de maneira a
coincidir com estes segmentos.
Leonardo, A Última Ceia, 1498, afresco, 460x880 cm,
Convento de Santa Maria delle Grazie (Refeitório), Milão. Parte da
complexa composição desta que é uma das maiores obras da renascença.
Cristo é a figura central, para onde convergem as linhas em
perspectiva. Reparar como a linha horizontal que divide o afresco
arrebata a maioria dos olhos dos apóstolos, tornando-os colineares.
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