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Análise do estilo de Claude Monet

© Texto de João Werner


O nome de Claude Monet está indissociavelmente ligado ao movimento Impressionista. Foi um de seus principais mentores, e a este movimento permaneceu fiel até o final de sua vida. Estudar a pintura de Monet é também estudar o Impressionismo, e a importância que este movimento teve para a arte do século XX pode ser vista também na pintura de Monet.

Monet nasceu em Paris em 1840 e, embora tenha vivido uma juventude de grandes dificuldades financeiras, alcançou reconhecimento e estabilidade financeira ainda durante sua vida. Embora o Impressionismo tenha provocado, em seu início, grande repercussão negativa, em pouco tempo será reconhecido como a primeira escola de pintura moderna, influenciando toda a arte posterior.

Como pintor, realizou uma verdadeira revolução, porém não deixou qualquer escrito teórico, nem mesmo a indicação a terceiros de quaisquer preocupações teóricas. Esta situação - tão atípica se pensarmos no desenvolvimento posterior da arte no século XX - levou alguns críticos a considerar que Monet não seria totalmente consciente da revolução cultural que iniciara. Um reles preconceito, que só pode ser formulado por pessoas formadas dentro da escola modernista teórica, para quem o pensamento com pincéisé simplesmente inexistente ou insignificante, seja ele de Monet ou de qualquer outro artista.

Monet é um dos maiores pintores na técnica do óleo da história. Sua pintura é, essencialmente, plástica. Soube extrair da tinta e dos pincéis uma estética poucas vezes alcançada na história da arte. Quando olhamos para seus quadros, vemos uma superfície extremamente fluida e tátil. Não há linhas de contorno, e a estrutura da composição é diluída em manchas que avançam e recuam, em profundidades e intensos cromatismos.(ao lado, Renoir, Retrato de Claude Monet, 1875, óleo sobre tela, Museu d'Orsay, Paris).

O tema de sua pintura é a luz, e o modo como ela interage com os objetos através da mediação da pincelada. A atmosfera, os reflexos, o translúcido, a irisação, a refração, entre outros, são os verdadeiros temas de sua arte. Se ele se utiliza de uma fachada de uma igreja ou de lírios-d'água sobre a superfície de um lago, isto é apenas um pretexto. Em Monet, a luz cria uma nova matéria. Ou melhor, ela nos mostra uma matéria - que pensávamos tão bem conhecer - de modos novos e inimaginados. As pedras da fachada da igreja animam-se, a água do lago torna-se melíflua. Oscar Wilde disse que, antes de Monet, ninguém havia observado que os nevoeiros em volta das pontes de Londres se irisam, e que não era mais possível olhar para aqueles nevoeiros sem se lembrar do pintor francês. (ao lado, Londres - Casas doparlamento ao pôr do sol, 1903, óleo sobre tela, coleção privada).

Mas tudo se realiza através da pincelada. O toque livre de Monet remete aos mestres do pincel, entre os quais Rembrandt. A tinta é colocada sobre a superfície da tela de modo espontâneo e ligeiro, sem ser descuidado, entretanto. A divisão dos tons, com a qual os impressionistas segmentavam as cores em suas componentes primárias, levou o artista a uma cada vez menorpreocupação com a forma. Uma de suas últimas séries de pinturas, retratando lírios d'água, chega a uma tal dissolução da forma na pincelada que, um passo a mais, e se estará já dentro de um estilo abstrato-informal. A poética destas pré-formas, a magia que se desprende destes quase-objetos, nos coloca na posição de seres primitivos que estão descobrindo um mundo novo, onde cada pequena diferença no contínuo adquire significação inusitada e extraordinária. (ao lado, uma visão em minúcia da pincelada de Monet em um detalhe da La Grenouillére, 1869, óleo sobre tela, The Museum of Modern Art (MoMA). Note como as pinceladas são bastante distintas umas das outras).

Com isto chega-se a um ponto importante na trajetória do artista. Antes de ser um método pseudo-científico de pintar, uma tentativa cientificista canhestra de explicar a natureza das coisas através da visão, a pintura de Monet é uma tentativa extraordinária de nos posicionarmo-nos novamente diante do mundo, com os olhos da imaginação (e, portanto, da poesia) totalmente abertos e inocentes. Mais do que ciência, sua pintura é um modo de ser-no-mundo, um modo em que o simbolizar ainda não se iniciou (ou ainda não terminou) e em que tudo, cada folha mergulhada na água, cada raio de sol, pode de repente iluminar-se de uma vida mágica e independente.

Com Monet a pintura recupera um frescor anterior à grande carga de conhecimentos técnicos acumulada pela tradição pictórica desde o renascimento. Com ele, a pintura começa de novo. É como se ele se desembaraçasse da linguagem acadêmica da pintura para começar um novo modo de ver e de pintar, poético e espontâneo. Este é o legado revolucionário que deixou para as gerações posteriores de vanguardistas. Sua pincelada livre e o uso da cor pura logo vão germinar e se desdobrar nas diversas escolas do início do século XX.

O impressionismo

O termo que definiu o movimento teve uma origem pejorativa. Foram chamados de impressionistas pelo crítico Louis Leroy os jovens rebeldes que expuseram em 1874 em Paris, no estúdio do fotógrafo Nadar. As telas dos impressionistas foram recebidas pelo público com grande aversão, injúrias e zombarias. Poucos críticos entenderam o que significava artisticamente o movimento e qual era o motivo estético que os orientava.

Tecnicamente, os impressionistas tendiam a abandonar o que pregava a tradição e o ensino acadêmico para a realização da pintura. Por exemplo, ensinava a tradição que a tinta aplicada sobre a tela deveria ser polida, de modo a obter uma aparência de superfície lisa, sem a presença visível das pinceladas. Os impressionistas, ao contrário, aplicavam a cor fazendo questão que suas pinceladas ficassem visíveis. O aspecto final da obra era o de algo inacabado, fragmentado, de formas que se reconstituíam apenas na visão.

Por outro lado, a tradição ensinava a elaborar o claro-escuro da imagem em escalas em degradé de castanho ou cinza e depois a aplicar, sobre estas escalas, a cor local de cada objeto. Esta técnica garantia unidade tonal à composição mas, por outro lado, implicava em uma redução na intensidade (saturação) de cada cor. As cores na pintura acadêmica tendiam aparecer embaçadas (dessaturadas) pela mistura com o cinza, o siena ou o verde-musgo. A tonalidade das telas impressionistas, ao contrário, era construída com as próprias corespuras, diretamente sobre o branco da tela. Com isto obtinha-se uma intensidade e uma vibração de cor muito maior.

Também as sombras das pinturas impressionistas eram elaboradas de modo diverso ao da tradição. Acompanhando as então divulgadas pesquisas sobre a natureza da visão de Chevreul, os Impressionistas utilizavam-se de pares de complementares para representar a luz e a sombra em suas telas. Em adição ao que foi dito no parágrafo anterior, se um objeto na tela impressionista tinha a cor local amarela, por exemplo, as sombras deste objeto eram pintadas em violeta, a qual é a cor complementar do amarelo.

O pintor acadêmico, por outro lado, misturava o vermelho e o amarelo na paleta para depois aplicar o laranja obtido sobre a superfície da tela. A obtenção da cor correta de um objeto era uma ciência realizada com argúcia e sensibilidade, com a mistura de cores quentes e frias complementares. Os impressionistas, ao contrário, obtinham o laranja em suas telas pela aplicação de pequenas pinceladas de vermelho e laranja justapostas, bem próximas, de modo que, vistas de uma certa distância, a retina tendia a misturá-las produzindo, apenas na percepção, o laranja obtido. Chamava-se a esta técnica impressionista de divisão dos tons.

Finalmente, a mais importante das alterações na tradição realizada pelos impressionistas foi o abandono da pintura realizada apenas no estúdio para uma pintura realizada em pleno ar, procurando retratar a luz solar em toda a sua infinita mutabilidade. Um pouco mais mítica do que real, esta alteração foi seguida muito proximamente por pintores como Monet, que realizou, por exemplo, séries inteiras de telas onde retratava uma determinada cena em diversas horas do dia, ou em diferentes estações do ano, para mostrar como um mesmo objeto pode se alterar significativamente sob a ação da luz e da atmosfera.

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