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LUREIS, Luciano Costa Reis, autor

Mal tinha eu acabado de distribuir minha croniqueta sobre os jardins de Claude Monet, quando minha irmã, Maria Amélia, me telefona e reclama:

- “ Porque não o Edouard Manet e seu estúdio em Barbizon ? É o meu preferido...”

- “ Sim, tenho muitos fatos pitorescos acontecidos em meus circuitos pelas cidades-berço do impressionismo francês. Mas , se começar a escrever sobre eles, corro o risco de me tornar mero redator de panfletos de roteiros turísticos. Mas vá lá.”

Não, não se pode deixar de visitar a rústica e graciosa vila de Barbizon, a poucos quilômetros de Paris, na orla do bosque de Fontainbleau, por muitos considerada a cidade-natal do Impressionismo. Nela foi criada a “Escola da Barbizon”e por ela passaram os maiores “monstros” da pintura, tais como Manet, Monet, Renoir, Bazille e outros. Eles saíram das cidades e de seus estúdios fechados e procuraram o ar livre, a luminosidade do sol, a natureza. A floresta de Fontainbleau, deixando penetrar e cambiar os raios de sol entre os ramos de suas arvores, dava-lhes oportunidade de praticar a pintura “impressionista”.

Assim, lá estive duas vezes e, se possível, iria outra. A vila é uma beleza ! Ou melhor, uma gracinha ! Mesmo com o asfalto das ruas, temos a sensação de estarmos a mais de cem anos atrás, tal a perfeita conservação de tudo, de toda a vila mesmo. E torna-se mais interessante porque, ela é habitada por inúmeros artistas plásticos, pintores principalmente. E pode-se encontrar os estudantes ou principiantes pintando ao ar livre ou em seus ateliês, visíveis das ruas estreitas. E pode-se comprar quadros excelentes por preços módicos. Quem sabe se dentre eles não estará um novo Manet ?

A casa/estúdio de Edouard Manet é uma jóia. Pequena, simples, despojada, mas que impressiona ou magnetiza pela serenidade do ambiente que nos envolve e que até dá vontade de compor uma obra de arte. Num galpão anexo, hoje adaptado para loja de ‘souvernirs”, ele concluiu muitos dos seus maravilhosos quadros.

Depois da visita, fomos, eu e minha companheira, bater pernas pelas bucólicas e estreitas ruas, cheias de alegres turistas, até descobrir um restaurante, ou melhor, um “relais routier”, onde a comida é simples e a bom preço. Tinha o sugestivo nome de “La Cassoulet Toulousain”, numa pequena placa de madeira pendurada na fachada de uma acolhedora casa particular, com uma matrona francesa a nos esperar na porta. Era justamente o que eu queria; a tempos que ansiava comer uma “Cassoulet” autêntica, caseira.

Para quem não sabe: “Cassoulet” é uma feijoada com feijão branco, carne de carneiro ou de porco salgada, salsichas e carne de ganso em conserva.

- “ Cassulet et votre vin de maison ! Rouge ! S’il vous plait !”. Mesmo enrolando a língua e contrariando a gozação da companheira, fiz-me entender pela simpática velhinha que nos arrumava a mesa.

E logo, trouxe-nos uma jarra de um delicioso vinho tinto, um grande pedaço de pão e dois pratos fundos da fumegante feijoada, “metida a besta”, como a classifiquei.

- “ Bon appetit !!!” Exclamou, numa sonora risada. E ficou a nos vigiar, com a caçarola na mão, nos despejando mais uma concha, assim baixasse o nível do prato.

- “ Ne pas de rien !!! Exclamei, ao não agüentar mais, embora estivesse achando “merveilleuse”, como lhe disse.

Movidos pela jarra do vinho “nacional”, conseguimos chegar à Van que nos transportava na excursão, bem no horário de partida. Prosseguimos por dentro da perfeitamente conservada floresta de Fontainbleau, um passeio perfeito, mas não resisti e tirei o maior ronco. Quando chegamos ao Castelo, não houve jeito, não conseguia acordar. Os nossos companheiros de viagem, cinco casais de “gringos”, desembarcaram rindo.

- “ Vá com eles, já conheço este palácio, estive aqui em 76. Prefiro ficar aqui, dormindo.”. e não revi o “Château de Fontainbleau”como gostaria, mas valeu ...

São esses incidentes sem transtornos, que alegram as viagens.


LUCIANO COSTA REIS, autor

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