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Banner Les Jardins de Claude Monet

Lureis, LUCIANO COSTA REIS

Estávamos nós, em Giverny, França. Acabávamos de visitar a bonita e original casa do, para mim, maior pintor impressionista. Em seu estúdio anexo, admiramos muitas das suas obras, inclusive os grandes painéis representando o lago das nenúfares. e a ponte do japonês. Agora, havíamos atravessado a estradinha asfaltada e tentávamos acessar aos jardins, que sabíamos maravilhosos e que haviam servidos de inspiração para o artista na confecção desses quadros.

Não, não conto isso para me gabar. Pois quem estiver em Paris, tem pôr obrigação fazer essa romaria cultural. E pela módica quantia de 400 francos, por pessoa.

Como sempre, nós dispensáramos o guia e nos aventurávamos sozinhos. Não sabíamos que o acesso aos “jardins d’eau” se fazia por uma passagem subterranea, que passava por baixo da estreita estrada, embora tivéssemos em mão os “tickets” de entrada. E batemos a cara em uma sólida cerca, fechando, nos barrando a passagem e se prolongava até aonde ia a vista. Encontramos um pequeno portão de ferro, mas estava fechado com um sólido cadeado. Que fazer, então ? Estávamos apenas nós, não havia mais ninguém. Foi quando, ao longe vimos um vulto se aproximando. Ao chegar perto, verificamos que era um senhor idoso, vestindo um surrado macacão e de boné na cabeça, mal escondendo seus cabelos brancos e carregando uma volumosa sacola. Dava toda a pinta de ser um jardineiro. Então, procurei desenrolar a língua, pois iria colocar em uso o meu “merveilleux” francês. Treinei, lembrando dos tempos de escola: “J’ai pardu ma plume dans le JARDIN de ma tante”. Quando o velho senhor parou frente a nós, pois observara que queríamos alguma coisa, dirigi-me a ele:

- “ Monsieur ... S’il vous plait ...”.

- “ Oui ? ”

- “ Comment ... Acesser ... Entrer ...Dans les jardins ?

Minha companheira, abriu na risada, gozando com meu francês macarrônico. O velho, pachorrento, respondeu pausadamente:

- “ È ... Fácil ... Eu ... pego ... esta ... chave ... e abro ... esse ... cadeado ...”.

E destrancou o portãozinho, fazendo um elegante gesto para que entrássemos. Nos pegou de surpresa. A companheira que ria, desabou em gargalhadas e eu, com cara de pateta, só sabia dizer:

- “ Mas é português ? Português de Portugal ? “.

- “ Ora, pois, pois. Claro que sou, tenho a sorte de trabalhar aqui ha muitos anos como jardineiro”.

Mas, valeu a pena. Depois de abraça-lo e pedir mil desculpas, tivemos a ventura de percorrer os maravilhoso jardins, a suave ponte “japonesa” e o lago das nenúfares, que serviram de inspiração a tantos quadros do mestre.

São esses incidentes sem transtornos, que alegram as viagens.

Lureis, LUCIANO COSTA REIS

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