
Géricault, 1819, A jangada do Medusa, óleo sobre tela, Louvre.
O artista retrata o resgate dos tripulantes do navio Medusa, à deriva por vários dias após o naufrágio . A tripulação havia fugido nos botes salva-vidas, abandonando todos à deriva. Consta que, para alimentar-se, haviam praticado o canibalismo.
A tragédia dos eventos do mundo real dificilmente pode ser fonte de prazer.
Mas na arte, a tragédia é a representação de acontecimentos que provocam a piedade e o terror, assim como o prazer estético.
Aristóteles via na arte trágica o ápice da atividade artística, pois possibilitava o surgimento dos sentimentos mais nobres e elevados.
Não é o fato de sofrer que faz o personagem trágico, mas a grandeza de seus atos em resposta aos eventos desditosos.
Por isto, embora o personagem trágico possa ter sido causador de sofrimento, não é ele totalmente culpado pelos seus atos.
Se assim fosse, seria apenas um vilão.
Ao contrário, o personagem trágico age de modo a produzir sofrimento em outros levado por incontornáveis determinações do destino.


