Conceito estético do "Prazer"

© Texto de João Werner


Se os sentidos podem ser fonte inesgotável de prazer, as artes são um foro privilegiado dos sentidos.

Agradar os sentidos é o único objetivo de muitas obras de arte.
Este prazer que as artes propiciam sempre foi uma preocupação para os moralizadores.

Durante a idade média houve uma grande disputa teológica e militar entre os que admitiam decorar os templos com pinturas e ornamentos e os que pensavam que tal decoração era uma facilitação à persuasão demoníaca.

Outros tentaram diminuir a força do prazer que as artes provocavam, julgando-as superficiais diante da força da razão. Para estes, as artes podiam ser apenas o domingo da vida.

Outros ainda tentaram desqualificar o prazer que a arte propicia considerando-a alienante diante dos fatos da dura realidade social.

Entretanto, a revelia de seus detratores, o prazer ressurge ainda mais disseminado nesta época hedonística em que vivemos.


Abadia de Saint Denis, interior, começada em 1140-1144.
A decoração das igrejas foi motivo de guerras durante a Idade Média. Para alguns (os iconoclastas) o prazer obtido com a presença da decoração nos templos era uma abertura para a persuasão satânica. Além disso, consideravam blasfêmia representar Cristo através de imagens.

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