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Conceito estético do "Belo"

© Texto de João Werner


O belo é um conceito relacionado à determinadas características visíveis nos objetos (ou seres). Historicamente, é o fruto maior da estética clássica, grega e romana.

Foi desenvolvido pelos filósofos gregos e exemplarmente demonstrado em suas escultura, arquitetura e pintura. Estas obras seguem sendo, passados mais de dois mil anos, os paradigmas dos objetos belos.

Eu posso gostar do que é feio, do que é amargo ou assustador, portanto não é o gosto que define o que é belo.
Acompanhando a milenar tradição clássica, podemos definir o belo formalmente, isto é, a partir de certas características das formas dos objetos.

Estando presentes estas características, o objeto tem larga chance de ser belo. Posso não gostar dele, posso considerá-lo frio e distante como um estranho extraterrestre alheio às imperfeições e paixões da vida, mas ele adequa-se aos critérios de beleza de 20 séculos de arte e arquitetura.

Três destas características formais são a ordem, a simetria e a proporção. Pensadas na Grécia clássica, estas três categorias atravessaram milênios de história, informando muita da arte gótica, renascentista, neoclássica etc. até os dias de hoje.

O belo e a arte

O belo é, para muitos, o conceito que define a arte. Entretanto, foi apenas após o século XVIII que o conceito de belo foi usado para qualificar objetos que fossem produzidos pelo ser humano. Antes disso, o belo não era mencionado entre os objetos produzíveis por mão humana. Para os gregos, por exemplo, a pintura e a escultura eram estudadas pela poética. O século XVIII vai inventar o termo belas artes, com o qual, desde então, nós associamos arte e beleza.

Demoiselle D'Avignon
Pablo Picasso, Demoiselle D'Avignon, óleo sobre tela, 1907, 243,9 x 233,7 cm., Museu de Arte Moderna, Nova York. Fonte da imagem Wikipedia.

A arte de vanguarda do século XX, entretanto, tratou de separar novamente as esferas da arte e do belo. Muito da arte de nossos contemporâneos tem a intenção explícita de não ser bela, em sentido clássico. Quando pintou a célebre Demoiselles d'Avignon, Picasso poderia ter tido várias intenções (ou nenhuma) exceto a de querer fazer uma pintura bela. A luta que as vanguardas travaram contra o classicismo teve, como uma de suas conseqüências, a separação entre o belo e as artes visuais.

Várias são as definições de belo. Uma das mais veneráveis tradições - que remonta a Aristóteles - afirma que são belos os objetos onde há "ordem" e "grandeza proporcionada". Esta definição tem a vantagem de definir o belo de maneira formal, isto é, como um conjunto de relações formais que são constantes em uma série de objetos diferentes. É uma definição muito aplicada na produção das artes visuais desde os gregos. Explicitamente ou não, grande parte da produção visual de gregos, góticos, renascentistas e muita arte moderna utilizou-se de aspectos formais de ordem, simetria e proporção como uma norma criativa. Artistas de vanguarda como o holandês Mondrian irão empregar as proporções clássicas em suas pinturas.

Estas relações formais, que definem o belo, produzem uma impressão de serenidade, de impassividade. São, na verdade, a irrupção de traços de perfeição ideal, para os quais raramente há aplicação estrita no mundo real. As qualidades que eles evocam, muitas vezes aparecem como sobre-humanas, isto é, como transcendentes em relação às contingências da vida, quase como uma indiferença para com as pequenas imperfeições que constituem nosso dia a dia. Sendo assim, as imagens que se utilizam exclusivamente destes princípios formais de beleza são, algumas vezes, criticadas por serem demasiado frias, distantes.

Há outras definições do belo que partem de um ponto de vista subjetivo, isto é, de um ponto de vista próprio dos sentimentos humanos. Uma das definições mais interessantes é a de David Hume, para quem o belo é o prazer que acompanha a atividade sensível. Em outras partes deste site serão tratados os aspectos da estética em que há o envolvimento dos sentimentos humanos.

Ordem

O primeiro dos conceitos que, segundo Aristóteles, pode qualificar uma obra como bela é o conceito de ordem. A ordem é a disposição metódica dos elementos visuais segundo certas relações preestabelecidas. Pressupõe-se, aqui, duas situações distintas. Primeiro, um elenco de elementos visuais que possam ser arranjados, isto é, cores, formas, pinceladas etc. Em segundo lugar, um conjunto de normas sob a determinação das quais aqueles elementos são arranjados.

Na história da imagem, a geometria era a principal norma sob a qual se organizavam os elementos visuais com o intuito de obter ordem. A geometria funcionaria como uma espécie de pano de fundo, de estrutura, sobre a qual os elementos visuais eram dispostos. A imagem cujos elementos visuais fossem organizados de acordo com uma estrutura geométrica era considerada bela, dentro desta tradição estética.

Sagrada Família Canigiani
Rafael Sanzio, A Sagrada Família Canigiani, c. 1507, óleo sobre tela, 131 x 107 cm., Alta Pinacoteca, Munique, Alemanha. Fonte da imagem Wikipedia.

Na pintura à esquerda, A Sagrada Família Canigiani, de Rafael, pode-se perceber, que há um triângulo sobreposto à pintura. Rafael, que é um dos maiores pintores da Renascença, utilizou-se inúmeras vezes deste artifício, conhecido como esquema piramidal. As figuras dispostas na composição eram arranjadas de modo a configurarem, por suas posições, esquemas geométricos simples, como o triângulo demonstrado.

Simetria

É denominada assim a semelhança entre objetos (ou partes de um objeto) que estejam posicionados em lados opostos de uma linha média. Por exemplo, um rosto é simétrico. Se traçarmos uma linha imaginária desde a testa, passando pelo nariz, e terminando no queixo, veremos que os olhos se posicionam simetricamente de um lado e do outro daquela linha. Assim também ocorre com as duas orelhas, com as duas narinas, com as duas metades da boca etc. Todo o corpo humano é simétrico deste modo. Claro que em uma obra de arte o uso da simetria nem sempre é tão óbvio assim. O uso da simetria é um dos recursos utilizados para se produzir um objeto belo.

As três Graças
Rafael Sanzio, As três Graças, óleo sobre tela, c. 1503-1505, Museu Condé, Chantilly.

Na pintura As três Graças, de Rafael, pode-se ver como o artista desdobrou a composição simetricamente em torno a um eixo vertical que correspondente ao corpo da Graça que está de costas para o observador. Os gestos das outras duas Graças repetem-se, de um lado e de outro a este eixo vertical, como se fora um espelho.

Proporção

Simplificando muito, podemos dizer que a proporção é estabelecida a partir da comparação entre duas medidas. Tomadas duas medidas quaisquer – a altura e a largura de uma pessoa, por exemplo, ou a altura da cabeça de uma pessoa e a altura de todo o seu corpo, ou a largura do olho e a largura da cabeça etc. - estabelece-se um denominador com o qual se equiparam as duas medidas entre si.

As proporções mais simples são as razões numéricas da ordem de 1:1, isto é, a primeira medida considerada é igual à segunda medida; 1:2, onde a primeira medida é a metade da segunda e assim por diante.

Algumas proporções são mais sofisticadas e tradicionais. Uma desta medidas, utilizada pelos gregos, perdurou por toda a Idade Média, Renascimento e até os dias de hoje - é conhecida como seção áurea, ou seção de ouro.

A comparação entre as duas medidas é feita de tal modo que, se dividirmos a medida maior pela medida menor o resultado será equivalente à divisão da soma das duas medidas dividida pela medida maior. O resultado não pode ser expresso como um número racional. Equivaleria a algo como 8:13, ou 1:0,618. Isto é, para cada unidade da primeira medida, a segunda medida seria o valor da primeira medida multiplicada por 0,618. É complexo, mas os exemplos nas artes e na arquitetura são em tal quantidade que a seção áurea se tornou uma regra geral na produção de proporções harmoniosas em formas visuais.

Vênus de Milo
Vênus de Milo, mármore, altura 202 cm., encontrada em Milo, 130-120 a.C., Museu do Louvre.
Padrão de beleza clássica, especialmente pelo uso da seção áurea para determinar as proporções.

 A conhecida Vênus de Milo, escultura grega, foi construída segundo estritos padrões da proporção áurea. Na ilustração da escultura, pode-se ver alguns detalhes da extraordinária segmentação matemática da escultura segundo os padrões da seção áurea.

Comparando-se as medidas que vão dos pés até o umbigo e, deste, até o topo da cabeça, encontramos a proporção de 1:0,618, como podemos ver na ilustração.

Graça

É um conceito proposto pelo século XVIII e pode ser definido como a beleza em movimento.

O objeto gracioso não pode supor qualquer aparência de dificuldade ou de esforço. É um movimento que exprime uma fluidez e harmonia de gestos. A linha curva é a linha que melhor descreve a trajetória de um movimento gracioso.

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