
Warhol, 1964, Marilyn, silkscreen e óleo sobre tela, Leo Castelli Gallery, NY.
As personagens que habitam o universo dos meios de comunicação de massas catalizam a atenção da maioria. A individualidade extrema mitifica e produz um efeito quase de adoração dos espectadores (fiéis?) aos seus ídolos.
A admiração é uma atitude psicológica que ocorre quando encontramos um objeto (ou ser vivo) que não se enquadra em nossos hábitos e experiências cotidianas. Um objeto que é, aos nossos olhos, inusitado e imprevisto.
O objeto transcende nossos padrões interpretativos habituais, causando-nos um misto de atração e maravilhamento que nos subtrai a atenção e, às vezes, a própria consciência.
É a admiração a razão dos
antropólogos encontrarem objetos bizarros nos fundos de cavernas, por exemplo, conchas e cristais em formatos inusitados, lá colecionados por algum ancestral paleolítico nosso, maravilhado pelas formas ou coloridos incomuns.
É a admiração que nos leva a cultuar a personalidade alheia, por exemplo, os atores da televisão e os ídolos do esporte. Este sentimento é a mola impulsionadora desta rentável indústria cultural que são as revistas de fofocas de ricos e famosos.
A admiração, muitas vezes, nos cega o senso crítico, nos inibe ou adultera os juízos.
Isto explica, em parte, a espetacularidade de certos eventos políticos ou religiosos. Obtendo a admiração dos seus espectadores, conseguem aumentar a aceitação de suas propostas ou ideologias, vistas com menos restrições por um maior número de pessoas admiradas.


